As lições da Geórgia

Atualizado: 5 de Jun de 2021

Por Caio Rabelo


** Este texto emprega o feminino “candidatas”, “cidadãs” etc. para referir-se a pessoas de diferentes gêneros


Recentemente, o campo progressista brasileiro vibrou com a atuação política ímpar da política estadunidense Stacey Abrams, da Geórgia, e da sua plataforma de ação política Fair Fight Action. A ex-deputada estadual e sua ONG foram fundamentais tanto para derrotar Donald Trump (a Geórgia é historicamente um “Red State” Republicano, ou seja, era esperado que Trump vencesse as eleições por lá) quanto para assegurar a eleição de dois senadores progressistas. Esta última façanha ainda garantiu a maioria Democrata no Congresso, possibilitando a implementação de medidas redistributivas inéditas, tais como o Plano de Recuperação Verde da Economia e o aumento de alíquota em impostos corporativos para financiar, por exemplo, a universalidade de creches.


Mas por que um acontecimento político tão distante da nossa realidade foi tão celebrado? Para além da inspiradora imagem de uma mulher negra como principal articuladora da derrota eleitoral de um mandatário cuja admin