Onde está a Interseccionalidade no “Peso 2”?

Por Beatriz Araujo


Há muito tempo se discute sobre possíveis estratégias para tornar cada vez menos desigual a representação política de alguns grupos particulares: mulheres e pessoas não-brancas, sobretudo indígenas ou negras. Isso porque há uma sub-representação desses grupos que reverbera em diversas esferas e isso não seria diferente na política institucional.


Diversas iniciativas foram criadas e executadas com objetivo de reduzir essa defasagem, mas não podemos jamais perder de vista que o que torna necessária a existência das mesmas é o machismo e racismo dentro dos partidos - independente de qual espectro ideológico o mesmo esteja situado, tornando-se mais contraditório quando isso é, também, uma realidade em partidos que se posicionam como progressistas e tem diversidade como bandeira.


Dito isto, gostaria de trazer à tona uma perspectiva interseccional sobre o “Peso 2”, a nova regra que chegou causando certo frisson, que inicialmente parece ser uma proposta bastante interessante, pois aumentaria a presença de pessoas destes grupos. Contudo, o desenho inadequado da regra gera subterfúgios para má fé.


A regra que coloca "peso 2" para mulheres e negros(as) para fins de distribuição dos fundos eleitoral e partidário pode gerar subterfúgios para má fé.