Prévias partidárias do PSDB: O que as redes dizem?

Por Paulo Loiola e Carolina de Paula


As prévias internas do PSDB parecem interessar tão somente seus correligionários. É o que apontam dados das mídias sociais da consultoria Social Listening A Estratégia, parceira da BaseLab em levantamento de dados.


As prévias vêm sendo disputadas por três grandes nomes atuais do partido: o governador de São Paulo João Dória, o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite e o senador Arthur Virgílio.


Segundo analistas e militantes, a tendência é que a candidatura de Leite esteja mais aberta a negociar posição de vice e fortalecer candidatura mais consolidada, já a rejeição de Dória dificulta esse movimento. Logo, parte do que está em disputa será a própria posição do PSDB na campanha de 2022. -Cabe dizer que nas pesquisas atuais nenhum dos dois nomes empolga o público brasileiro.


Foram 3,2 mil postagens entre 18 de outubro e 1 de novembro, com um alcance de 10,3 milhões de pessoas e 285 mil interações -dados pouco expressivos para a disputa de um partido que governou o país há poucos anos atrás e que comanda o estado mais rico do país. Esses dados por si só já demonstram que mesmo com todo o esforço dos grandes veículos de imprensa, a repercussão não interessa à população de maneira geral.


João Dória, governador de São Paulo aparece no monitoramento como o mais mencionado, com 51% das citações, Virgílio 13% e Leite 36%. As citações parecem ser também uma prévia do que pode vir a ser o resultado das prévias, na qual aparentemente, Dória lidera.


Leite tem mais menções positivas (9%), porém, pouco acima dos demais postulantes, que aparecem com 7%. A discussão é majoritariamente concentrada em homens de 26 a 40 anos no Twitter, onde se concentra metade da discussão monitorada e chama atenção a falta de representatividade em outros perfis.


O pico da discussão foi em 18/10,com o primeiro debate das prévias,e São Paulo é a cidade com mais menções à disputa, traduzindo também o centro do poder tucano. A disputa nas redes está mais concentrada no twitter com 50% das menções, e no Facebook com 25%,.nos chama atenção que no Instagram são somente 5% das menções.


A Hashtag mais utilizada foi PSDB (467), #previasdopsdb representam 178, demonstrando não haver muita coordenação sobre a discussão.


Apesar de ser uma importante definição para o partido, não houve grandes manifestações nos primeiros dias, em uma semana, somente 1400 inscritos para votar do total de 1,3 milhão de registrados.


Ainda sobre as redes é importante ressaltar que metade das citações ocorreu a partir de uma fala de Dória em campanha, questionando se os presentes já haviam estado em Dubai, ressaltando mais uma vez o desinteresse geral.


Reflexo do baixíssimo interesse no pleito também é o resultado de buscas no google que vêm sendo feitas pela população, que buscam entender se o partido é de direita ou esquerda, reforçando o baixo interesse nas prévias.


Fora das redes a grande polêmica que cerca as prévias é a lista de filiados aptos a votar, batalha perdida recentemente por João Dória, que teve 92 votos de prefeitos e vice-prefeitos de sua base invalidados, lembrando que prefeitos representam 25% dos votos das prévias. São Paulo é o Estado com maior colégio eleitoral e 98% dos prefeitos paulistas apoiam Doria.


Apesar disso, conquistas importantes vêm sendo realizadas por Dória, como votos no Rio Grande do Sul, território de Leite, e no nordeste.


Mesmo havendo certa tendência de vitória para Dória atualmente ainda pairam muitas dúvidas sobre o resultado final. Dória ainda é visto pelo mundo político como o favorito e tem sido convidado a participar das negociações em torno da terceira via e vem conseguindo manter destaque, principalmente com a promessa de privatizar a Petrobras, ataques a Bolsonaro e o destaque pela vacina.


Leite conseguiu destaque ao assumir sua homossexualidade e tem baixa rejeição, mas a ligação de Leite e Dória com Bolsonaro pode gerar problemas no futuro para ambos.


Nos parece portanto, que mesmo frente ao enfraquecimento do partido nas últimas eleições, que perdeu mais de 22% do total de vereadores e de 34% do total de prefeitos, além do desinteresse da população, tucanos estão buscando manter sua relevância partidária, porém, não vêm conseguindo atrair a atenção da população para sua disputa.


É certo que os dados coletados nas redes sociais representam somente uma parcela da opinião pública, nesse caso, àquela que está conectada e predisposta ao universo do debate político partidário. Porém, os dados de identidade partidária dos brasileiros relacionados ao PSDB revelam um cenário preocupante para os tucanos.


Em 2019 o Latin American Public Opinion Project conduziu um survey de opinião com uma amostra nacionalmente representativa de 1.498 brasileiros. Quando perguntados “com qual partido o(a) sr./sra. simpatiza?”, somente 1,4% dos entrevistados respondeu PSDB.


Na contramão desse pequeno número de brasileiros com alguma simpatia pelo partido, é nítido o alto interesse da mídia mainstream pelos rumos da candidatura tucana. A realização do debate no dia 18/10 pelos jornais O Globo e Valor Econômico é o exemplo mais óbvio.


A baixa circulação e interesse pelas prévias antecipam uma dificuldade que tanto Eduardo Leite quanto João Dória terão se forem candidatos em 2022. A dificuldade em adentrar a região Nordeste é uma velha conhecida dos tucanos.


O alcance do debate bastante restrito ao estado de São Paulo parece cristalizar a falta de capilaridade regional da legenda, apesar da força obtida via cobertura midiática do evento.

Em 2014, Aécio Neves venceu no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas obteve resultados pífios no Nordeste (perdeu também no Norte). Os números da candidatura de Geraldo Alckmin em 2018 sequer podem ser considerados, tamanho o fracasso da campanha. Neste momento, Dória e Leite percorrem o Brasil em busca de apoios políticos nas prévias, mas os dados das redes sociais desenham um desafio gigantesco para os tucanos: mostrar que o PSDB ainda é um partido significativo no xadrez eleitoral.

Carolina de Paula é Cientista Política e Diretora Executiva do DataIESP, especialista em análise e pesquisa comportamental, que conversará conosco sobre os eleitores de Bolsonaro em 2018 e as perspectivas para 2022.


Paulo Loiola é sócio-fundador da BaseLab, administrador, mestre em gestão pública pela FGV e especialista em responsabilidade social e terceiro setor pela UFRJ. É especialista em estratégia política e já atuei em mais de 100 campanhas em todo Brasil.



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